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Ecólogos e ambientalistas são os primeiros a insistir no aspecto econômico da proteção da diversidade biológica. Deste modo, Edward O. Wilson escreveu, em 1992, que a Biodiversidade é uma das maiores riquezas do planeta e, entretanto, é a menos reconhecida como tal (la biodiversité est l'une des plus grandes richesses de la planète, et pourtant la moins reconnue comme telle).

A maioria das pessoas vêem a biodiversidade como um reservatório de recursos que devem ser utilizados para a produção de produtos alimentícios, farmacêuticos e cosméticos. Este conceito do gerenciamento de recursos biológicos provavelmente explica a maior parte do medo de perdê-los, devido à redução da Biodiversidade. Entretanto, isso é também a origem de novos conflitos, envolvendo a negociação da divisão e apropriação dos recursos naturais.

Se os recursos naturais são de interesse econômico para a comunidade, sua importância econômica é também crescente. Novos produtos são desenvolvidos graças a biotecnologias, criando novos mercados. Para a sociedade, a biodiversidade é também um campo de trabalho e lucro. É necessário estabelecer um manejo sustentável destes recursos.

Os ecossistemas também nos fornecem "suportes de produção" (fertilidade do solo, polinizadores, decompositores de resíduos, etc.) e "serviços" como purificação do ar e da água, moderação do clima, controle de inundações, secas e outros desastres ambientais.

Uma estimativa do valor da Biodiversidade é uma pré-condição necessária para qualquer discussão sobre a distribuição da riqueza da Biodiversidade. Estes valores podem ser divididos entre:

  • valor de uso;
  • uso direto através do turismo, ou de novas substâncias farmacêuticas ganhas através da biodiversidade, etc.;
  • uso indireto, como a polinização de plantas e outros serviços biológicos;
  • o não uso, ou valor intrínseco.

Em um trabalho publicado na Nature, em 1997, Constanza e colaboradores estimaram o valor dos serviços ecológicos prestados pela natureza. A idéia geral do trabalho era contabilizar quanto custaria por ano para uma pessoa ou mais, por exemplo, polinizar as plantas, ou quanto custaria para construir um aparato que serviria como mata ciliar prevenindo o assoreamento dos rios. O trabalho envolveu vários "serviços" ecológicos e chegou a uma cifra média de US$ 33.000.000.000.000,00 (trinta e três trilhões de dólares) por ano, duas vezes o produto interno bruto mundial.

Na publicação "Recursos mundiais 2000-2001" (http:// www.wri.org/wr2000esp/pdf.html), discute-se amplamente a questão dos ecossistemas, seus serviços e a integração com os seres humanos. “Os ecossistemas da terra e as pessoas se acham unidos em uma simbiose tão intrincada como tênue. ... Os ecossistemas são os motores produtivos do planeta e nos proporcionam desde água e alimentos, até as fibras que utilizamos para vestir-nos ou produzir papel ou madeira para a construção. Ainda assim, quase todas as medidas que utilizamos para avaliar sua saúde nos dizem que cada vez extraímos mais e mais destes, degradando-os em ritmo mais acelerado.”  Mas o que são os ecossistemas? São o somatório da integração entre os seres vivos e o ambiente que os sustenta, a partir de intricados elos que promovem sua produtividade, mas também promovem um desafio no que tange ao seu manejo. As PROPRIEDADES NATURAIS DO ECOSSISTEMA são “os componentes físicos, químicos e biológicos, tais como o solo, a água, as plantas, os animais e os nutrientes, além das inter-relações entre eles.”

A Convenção da Biodiversidade (CDB, 1992), destaca alguns pontos fundamentais quando se trata de atribuir uma valoração aos seres vivos. Podem ser destacados os seguintes princípios básicos:

  • A biodiversidade deve ser conservada;
  • A utilização dos recursos genéticos deve ser feita de maneira sustentável;
  • Os benefícios advindos da utilização dos recursos genéticos devem ser repartidos de forma justa e eqüitativa.

A identificação do potencial real da enorme biodiversidade brasileira, a grande extensão territorial do país, a dificuldade para fiscalizar, a escassez de recursos naturais no restante do mundo, aliados à falta de conscientização de sua importância científico-econômica, estão facilitando a biopirataria, que é o comércio ilegal da biodiversidade. Aliás, a retirada das riquezas naturais ocorre desde o descobrimento, com o início de retirada de materiais que eram levados para outros continentes.

O ser humano sempre utilizou os recursos naturais em prol de seu desenvolvimento e mesmo para sua subsistência, mas a explosão demográfica e o desenvolvimento tecnológico, nas últimas décadas, principalmente o uso dos recursos biológicos, aumentaram sensivelmente, chegando a comprometer muitos dos ecossistemas da terra, levando-os praticamente à destruição, com conseqüências desastrosas para a humanidade.

Wilson, em sua obra “O futuro da vida” (ed. Campus, 2002), mostra longo estudo comparativo entre os distintos setores envolvidos com a utilização da biodiversidade, riscos, ameaças e formas desenvolvidas por setores da sociedade mundial para uma conservação que se faz a cada dia mais necessária. Os cálculos relativos à valoração da natureza se referem a trilhões de dólares, e algumas das funções desempenhadas por ela são insubstituíveis.

Segundo Chomenko (1998, 2004), a discussão atual do valor econômico de cada elemento da natureza faz parte de uma análise rotineira indispensável, pois os valores muitas vezes não são compatíveis com a efetiva utilização dos RN (por exemplo, a biotecnologia está a cada dia promovendo novas descobertas; os ecossistemas são cada vez mais utilizados para lazer, turismo, etc, e servem de sustento financeiro para as comunidades). Assim, deveriam ser feitas análises considerando-se diferentes ecossistemas, com as suas situações de serviços / bens específicos, contrapondo-os com os eventuais impactos da ação antrópica. A partir destas situações seriam realizadas simulações com distintos cenários contemplando impactos e riscos, positivos e negativos - reais e potenciais, analisando o contexto imediato e futuro de inserção das atividades, permitindo - mesmo que parcialmente - tomadas de decisão baseadas nas realidades locais. As avaliações devem considerar aspectos como:

  • Inserção espaço-territorial;
  • Outros planos existentes e que se relacionem (efetiva ou potencialmente);
  • Análise e gestão de risco e biossegurança;
  • Participação da população na tomada de decisões.

Hawken et al., 2000, ao tratar do tema “serviços dos ecossistemas” afirmam que “uma das lições mais importantes em relação ao tema é que existem alguns recursos que nenhum dinheiro pode comprar. Muito poucos ou talvez nenhum substituto feito pelo homem é capaz de nos abastecer verdadeiramente da diversidade que flui da natureza. Não temos como fabricar bacias hidrográficas, lagoas, camadas de solo, pântanos, sistemas ribeirinhos, porque nos falta capacidade de interromper ou substituir com bom resultado as complexas inter-relações dos ecossistemas....”

 



 

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