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Younés, (In Garay e Dias, 2001), afirma que “há pouco mais de dez anos, os cientistas davam pouca importância ao conceito da diversidade biológica (a palavra biodiversidade surgiu em 1986). Tradicionalmente os taxonomistas lidam com grupos de plantas e animais organizados num mosaico de espécies. A descrição e os índices de diversidade biológica, ligados à riqueza biológica, tratam apenas do número de espécies que integram as comunidades, ecossistemas e paisagens. Por outro lado os biólogos celulares e moleculares, os geneticistas e biólogos do desenvolvimento se centram sobretudo em demonstrar a unicidade da vida, mais que em explicar qual o significado da diversidade.” A partir desses variados enfoques sobre as formas de vida do planeta, distinguem-se algumas abordagens:

Para os biólogos geneticistas, a Biodiversidade é a diversidade de genes e organismos. Eles estudam processos como mutação, troca de genes e a dinâmica do genoma, que ocorrem ao nível do DNA e constituem, talvez, a evolução.

Para os biólogos zoólogos ou botânicos, a Biodiversidade não é só a diversidade de populações de organismos e espécies, mas também a forma como estes organismos funcionam. Organismos surgem e desaparecem. Locais são colonizados por organismos da mesma espécie ou de outra. Algumas espécies desenvolvem organização social ou outras adaptações com vantagem evolutiva. As estratégias de reprodução dos organismos dependem do ambiente.

Para os ecólogos, a Biodiversidade é também a diversidade de interações duradouras entre espécies. Isto se aplica também ao biótopo, seu ambiente imediato, e à ecorregião em que os organismos vivem. Em cada ecossistema os organismos são parte de um todo, interagem uns com os outros, mas também com o ar, a água e o solo que os envolvem.

A cultura humana tem sido determinada pela Biodiversidade, e ao mesmo tempo as comunidades humanas têm dado forma à diversidade da natureza nos níveis genético, das espécies e ecológico. É fonte primária de recursos para a vida diária, fornecendo comida (colheitas, animais domésticos, recursos florestais e peixes), fibras para roupas, madeira para construções, remédios e energia. Esta "diversidade de colheitas" é também chamada Agrobiodiversidade.

RIFKINS afirma que o século XXI será o da utilização da biotecnologia como elemento estruturante para o desenvolvimento, mas que a fonte de matéria prima – A BIODIVERSIDADE – não se cria, cabendo à biotecnologia, “garimpar” fontes adequadas para a sua utilização. Já SIMONS E KOTLER (2004) salientam a necessidade de que as empresas utilizem adequadamente este recurso sob pena de degradarem as fontes de sua matéria prima.

BERMEJO, 2001,(http://www.rafi.org.sp/doc/patentes/pdf), refere que "o desenvolvimento de técnicas de manipulação genética nos últimos anos está levando as indústrias a reclamarem direitos de propriedade exclusivos sobre a matéria prima da biotecnologia, que são os próprios organismos vivos", o que contraria completamente normas éticas internacionais. A própria Declaração Universal do Genoma Humano e dos Direitos Humanos, promulgada pela UNESCO, define que "o genoma, em seu estado natural, não deve dar lugar a ganhos financeiros. Afinal, um gene não é uma invenção, é uma descoberta de algo que a natureza levou milhões de anos para desenvolver.”

A fim de obter um desenvolvimento sustentável, a conservação da Biodiversidade requer mudanças fundamentais nos padrões e práticas de desenvolvimento econômico mundial. O progresso não é mais medido apenas pelos salários e rendas nacionais. O desenvolvimento passa a incluir novos valores agregados como educação, proteção ambiental sustentada, maior compromisso com a democracia, respeito aos direitos dos indivíduos e conscientização em relação à cidadania (no que se refere aos direitos e deveres). Estes aspectos passam a ser considerados pelos indivíduos e pelos governos. A premissa básica é a da sustentabilidade dos sistemas ambientais, os quais devem levar em conta o ser humano e o ambiente que o circunda. (Chomenko, 2004).

Recentemente surgiu uma nova visão integradora das abordagens, a qual incorporou os vários aspectos antes citados, buscando salientar esta necessidade aliada à inclusão da temática da sustentabilidade (permanência) dos sistemas ambientais como um marco referencial para a própria sobrevivência humana.

Finalmente, o papel da Biodiversidade é "ser um espelho das nossas relações com as outras espécies de seres vivos", uma visão ética dos direitos, deveres e educação.

A POLITICA NACIONAL DA BIODIVERSIDADE (PAN-Bio), a partir da deliberação CONABIO n° 40 (07.02.2006), na qual se definiram diretrizes e prioridades do Plano para implementação da Política Nacional da Biodiversidade, tem sua aplicação baseada em 7 componentes básicos, que levam em conta os distintos modos de enfocar a situação da biodiversidade brasileira:

  • Comp. 1 – Conhecimento da biodiversidade;
  • Comp. 2 – Conservação da biodiversidade;
  • Comp. 3 – Utilização sustentável dos componentes da biodiversidade;
  • Comp. 4 – Monitoramento, avaliação, prevenção e mitigação de impactos sobre a biodiversidade;
  • Comp. 5 – Acesso aos recursos genéticos, conhecimentos tradicionais associados, repartição de benefícios;
  • Comp. 6 – Educação, sensibilização pública, informação e divulgação sobre a biodiversidade;
  • Comp. 7 – Fortalecimento jurídico e institucional para a gestão da biodiversidade.

 



 

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